Freguesia de Miranda do Corvo
  
                               

Foi primeiro da Coroa. Passou depois para o senhorio dos Coelhos, que, por emigrarem para Castela, com a subida ao trono do Mestre de Avis, o perderam; seguiu para as mãos dos Sousas de Arronches e, por sucessão, para a Casa de Lafões. Todos gente muito poderosa que pouca Influência social tiveram nas terras de que foram donatários.
Sabe-se que havia, na altura da Reconquista, núcleos de povoação, dispersos, conforme a qualidade dos terrenos para agricultura ou adaptação e indústrias rudimentares.
Porém, apenas das necessidades militares do avanço para sul do Mondego veio a constituição do concelho como unidade política e administrava.
Do cruzamento do vale do Dueça com a larga passagem ao longo da cordilheira, surgiu um ponto de apoio para a defesa de Coimbra. Resulta daqui a construção de um castelo no cabeço que hoje domina a vila e, como consequência, o aparecimento do povoado que, com o tempo e a influência em relação com a defesa militar, seria o centro que ligaria com Penela (ao sul) e se estenderia para nascente até Arouca e quase à margem esquerda do Alva e exerceria na região certa hegemonia que se foi mantendo até muito tarde.
Há incertezas, no entanto, acerca dos primórdios do castelo e povoação anexa. Conhece-se é que em 1116 uma invasão árabe arrasou tudo e passou à espada os habitantes, mas, vinte anos depois, D. Afonso Henriques, tratando de efectivar o plano de marcha para sul, reconstruiu com mais segurança o castelo, fez renascer a povoação e organizou o Concelho, concedendo carta de firmeza e de foro de Miranda a Uzbero e mulher, em 19 de Novembro de 1136. Deste ano data a existência histórica da vila e da regia.
Na verdade, ao primeiro rei de Portugal não passara despercebida a importância estratégica deste território.
Erguendo-se no morro ladeado a nascente pelos rios Alheda e Dueça, o castelo dominava a saída dos valeiros destes rios e a passagem natural entre a Estremadura e as Beiras, aliás já referenciadas pelos romanos, que era a estrada de Tomar a Foz de Arouce, cujo perfil, designado por "estrada real", ainda é possível detectar em alguns pontos.
Sem deslumbrar particularmente, o património construído na freguesia tem, ainda assim, pontos incontornáveis de referência.
A igreja matriz, construída nos finais do século XVIII no local de outra, gótica, dos começos do século XV, em cujo adro se abrange admirável e suave panorama, é um templo simples; vasto e regularmente proporcionado, de uma só nave muito ampla. São dignos de realce o altar-mor e o sacrário renascentista.
O prior era da apresentação da Coroa até D. João II, que a deu a seu filho D. Jorge, e por isso passou à casa de Aveiro, na qual andou até passar à de Arrohches, senhorio da vila; os seus rendimentos eram muito avultados e deles saiu a pensão que desde 1790 subsidiou o abade Correia da Serra nos seus estudos e viagens ao estrangeiro.
O castelo desapareceu nos fins do século XVIII, e a única torre que existia com remate quinhentista para adaptação de sinos foi há anos, lamentavelmente, transformada.
O pelourinho, do século XVI, corresponde ao foral de D. Manuel. Encontrava-se no local onde existia a antiga Casa da Câmara (actual Feira da Sardinha). Um pouco mutilado, está guardado na Câmara Municipal.


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